Grupo pró-Arruda é formado por categorias financiadas pelo GDF PDF Imprimir E-mail
Escrito por Arthur Paganini   
Sex, 29 de Janeiro de 2010 15:50

A organização do movimento de apoio ao governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, é formada por associações e sindicatos com vínculos com o próprio governo. Com uma boa infraestrutura, os manifestantes que defendem o governador acusado de pagar propina a aliados têm comparecido diariamente à Câmara Legislativa para promover o “ato em defesa da governabilidade”. Além de trio elétrico em tempo integral, o grupo dispõe de tendas para protegê-lo do sol e da chuva e banheiros químicos. Os organizadores são antigos cabos eleitorais de Arruda, que já tiveram cargos no governo, e presidentes de entidades ligadas ao governador.

O principal instrumento de mobilização do grupo, em frente à Câmara Legislativa, é um trio elétrico. O aluguel de um veículo similar ao usado pelo movimento custa em média R$ 4 mil por dia. Mas, segundo Sandra Madeira, uma das coordenadoras do movimento Fica Arruda, o trio elétrico foi emprestado pelo Sindicato dos Caminhoneiros. A entidade é presidida por Valdelino Barcelos, também presidente da Cooperativa dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas e Passageiros (Coopercam/DF). A cooperativa recebeu R$ 70,4 milhões do GDF nos últimos quatro anos.

A Coopercam presta serviços de transporte para alunos da rede pública, servidores do GDF e de carga. De 2007 até março do ano passado, a entidade era contratada com dispensa de licitação. Em três anos de serviços emergenciais, foram repassados à entidade R$ 32,1 milhões dos cofres do governo local e do Fundo de Manutenção da Educação Básica (Fundeb). A mesma cooperativa venceu licitação feita no primeiro semestre de 2009. Em nove meses, já recebeu mais R$ 38,3 milhões.

Os repasses à cooperativa cresceram a cada ano. Em 2007, foi feito um pagamento de R$ 943,7 mil. Em 2008, a cooperativa recebeu 15 ordens de pagamento no valor total de R$ 28,3 milhões e, no ano seguinte, foram 53 repasses no montante de R$ 41,1 milhões.

Só na Secretaria de Educação, na gestão de José Valente, a Coopercam firmou, em outubro de 2008, dois contratos com a mesma finalidade. De acordo com o Sistema Integrado de Gerenciamento Governamental, cada contrato foi de R$ 7,7 milhões, para transporte de alunos de Planaltina. Um deles com recursos do GDF e o outro, com verbas do Fundeb. Barcelos foi procurado pela reportagem, mas não retornou as ligações.

Infraestrutura
Desde segunda-feira (25), o grupo permanece durante o dia em frente à rampa da Câmara Legislativa com uma estrutura especialmente montada para atender às necessidades de um dia de “protestos”. Além do carro de som, eles contam com dois banheiros químicos e duas grandes tendas portáteis de lona. No mercado, o aluguel desses itens chega a custar R$ 450 por dia de uso. Segundo Sandra, o valor total será cotizado entre as associações.

Sandra Madeira é uma das principais líderes do movimento. Em 23 de setembro de 2009, ela deixou o cargo comissionado de assessora especial de José Roberto Arruda para fundar o Sindicato dos Trabalhadores Artesãos do DF e Entorno. Como presidente do sindicato, passou a coordenar um grupo formado por presidentes de diversas associações e simpatizantes do governador. O movimento é formado em sua maioria por ex-comissionados do GDF e moradores de invasões assistidas por Arruda em Sobradinho II, no Arapoanga, no Varjão e em outras regiões.

Outra figura de destaque do movimento é Valdir Luiz de França, mais conhecido como Valdirzão. Ex-policial militar de Goiás, ele costuma organizar a mobilização de pessoas nos eventos políticos. Desde 1994, Valdirzão é cabo eleitoral de José Roberto Arruda, tendo protagonizado diversas confusões com grupos de oposição.

Organização
Com o carro de som, o grupo pró-Arruda escuta músicas de grupos de funk, axé e sertanejo. Quando há transmissões de reportagem de televisão, os integrantes ficam ao fundo com faixas e cartazes em prol do governador. Para evitar dispersão, Sandra mantém o controle de todos que vão embora antes do fim das atividades.

O principal empecilho no caminho de Sandra é o Movimento Fora Arruda, formado por estudantes, sindicatos de trabalhadores e partidos políticos de esquerda. Na segunda-feira, três integrantes do grupo adversário estiveram em frente à Câmara. Foi o suficiente para os arrudistas partirem para o ataque. “Não vamos deixar que meia dúzia de baderneiros venha desrespeitar o nosso movimento”, disse Sandra.

Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr

 

 

Última atualização em Qua, 03 de Fevereiro de 2010 10:49
 

comentários  

 
-1 #1 30-01-2010 17:50
ESSA SANDRA MADEIRA TAMBEM E PRESIDENTE DA ONG AMIGOS DO ARRUDA ?
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